• MAX FERCONDINI

DA MARTINICA PARA BONAIRE - DIÁRIO 04


Diário de Bordo - DIA 04

(14/06/2019)


Posição: 12°08′N 68°15′W

Distância Total: 520 nm (830 km)

Milhas navegadas: 520 nm (830 km)

Milhas para chegar: 0 nm (0 km)


Quando foi 1h32 da manhã, horário local, avistamos pela primeira vez a luz do farol da costa leste da ilha de Bonaire, no mar do Caribe. Alexandre e eu estávamos no cockpit enquanto Mirella descansava na sala do veleiro. Já fazia 3 dias e algumas horas desde que iniciamos a navegação e agora faltavam poucas milhas náuticas para o nosso destino.

Às 2h15, os ventos começaram a apertar e, com a mudança de rumo mais para o sul, começamos a sentir as ondas baterem com mais intensidade no casco. Alexandre estava muito cansado e pediu que eu assumisse o leme para que ele pudesse descansar. Alguns minutos seguintes, Mirella veio se juntar a nós no cockpit, pois estava se sentindo muito enjoada. Não era por menos, pois nesse trecho final, bem próximo da ilha, o mar se levantou bastante e as rajadas de vento agora registravam 38 nós de velocidade. Confesso que, apesar do desconforto da tripulação, eu me divertia bastante subindo e descendo as ondas naquele mar negro e revolto.


Havia algumas nuvens no céu, mas ainda podíamos observar as estrelas no horizonte. Quando já estávamos mais próximos da ilha (aprox. 12 milhas náuticas), observamos um conjunto de luzes vermelhas dispostas na vertical. À princípio não conseguimos identificar o que eram aqueles sinais luminosos e nossa imaginação sugeriu algumas opções, como uma caravela ou uma estação petroleira no meio do mar que, só depois de estarmos mais próximos, fomos descobrir que eram antenas de transmissão de uma estação evangélica (TWR Bonaire) que foi construída na década de 1950 e que, até hoje, é utilizada para propagar a palavra de Deus para as ilhas do Caribe, bem como para as tribos na floresta Amazônica.


Às 3h20 da manhã, consegui finalmente vencer a forte corrente que dificultava a navegação na madrugada. A partir do través sul do farol de Willemstoren, ponto mais meridional da ilha, o mar se acalmou, assim como o vento, que nos deu uma trégua e parou de soprar forte. Após essas horas de esforço na navegação, tudo o que eu mais precisava era deitar e descansar. Estávamos há muitas horas acordados, ansiosos e com grande expectativa de chegar. Passei novamente a roda de leme para o Alexandre e me deitei ali mesmo, no relento, caso ele precisasse novamente do meu apoio. Mirella só veio a se sentir melhor algum tempo depois que deixamos as águas agitadas e também deitou-se. Nosso estimado de chegada no porto de Kralendijk, capital de Bonaire, agora era para às 7h20 da manhã e, durante esses horas finais, eu aproveitei para tirar um bom cochilo e me recuperar da navegação exaustiva.

Alexandre me acordou assim que o sol nasceu e pelo horizonte à boreste (direita do veleiro), apreciamos as "dunas" de sal durante os primeiros raios da manhã. Bonaire foi "descoberta" por Américo Vespúcio, navegador italiano que estava à frente de uma expedição espanhola pelas ilhas do Caribe e pela costa da Venezuela. Em alguns dos primeiros mapas Mundi, Bonaire é descrita como Isla de Brasil (Ilha do Brasil), por causa da presença de árvores de Pau Brasil.


Minutos antes de chegarmos ao nosso porto final, Alexandre me acordou e começamos a baixar as velas e a preparar as defensas (boias laterais que protegem o barco na atracação). Mirella acordou para ajudar e assim seguimos até encostarmos no pier de espera, bem em frente do escritório alfandegário da cidade.

Posição: 12°08′N 68°15′W

(Continua...)


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© 2019 por Max Fercondini

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