• MAX FERCONDINI

Diário de Bordo - 03


Diário de Bordo - Dia 03

(27/11/2018)


Posição: 25 04 N 018 12 W

Milhas navegadas: 108 nm

Milhas para chegar: 2493 nm

Velocidade média para o destino: 4.3 nós


Acordei às 10h30 da manhã após descansar por umas 5 horas.

Alexandre estava dormindo no chão ao meu lado, no mesmo lugar que havia passado horas do dia anterior para se recuperar do enjoo.

Mirella estava se sentindo bem melhor e comandava o veleiro a partir do leme.

Levantei e fui para o cockpit para fazer companhia para ela. Conversamos um pouco sobre a noite anterior e ela me agradeceu a paciência. Não havia de quê.

Alexandre acordou e eu disse para ele não fazer nada que pudesse deixá-lo novamente enjoado, como abaixar a cabeça ou ir buscar algo dentro do barco. Orientei para que os dois tentassem se concentrar em não enjoar, pois eu faria um almoço para que eles voltassem a se nutrir depois de terem colocado as últimas refeições para fora.

Aproveitamos que todos estavam bem para tomarmos o primeiro banho a bordo da viagem, que não precisou ser fora do barco, pois recolhemos água do mar e utilizamos o banheiro para nos banharmos. Como o Alexandre quis ligar o motor do barco para carregar um pouco as baterias, pudemos tirar a água salgada do corpo com água quente da torneira. O enxágue foi super rápido para economizarmos água doce do tanque de 400 litros.

Quando deu 14h, preparei um spaghetti com molho de tomate e carne. Tomamos o primeiro vinho da viagem, ainda com receio de que alguém pudesse enjoar. Ninguém passou mal com a comida ou com o vinho.

Após o almoço, Mirella encontrou um último pastel de nata que o Alexandre ganhou do Gustavo Del Castillo, velejador espanhol que veio até o barco se despedir de nós nas Canárias e nos ofereceu o doce de cortesia para quando estivéssemos no mar.

Todos se sentiram bem após o almoço e, enquanto Mirella navegava eu aproveitei para escrever mais alguns parágrafos do meu livro. Alexandre cuidou de realocar os painéis solares onde batesse sol.

Conversamos e escutamos música até anoitecer e nos esquecemos de descansar para os turnos da noite.

Alexandre tocou o barco das 21h às 2h enquanto Mirella e eu descansávamos. Acordei várias vezes para ver se estava tudo bem, pois o mar mexia muito o barco. Alexandre não conseguiu sequer descansar um minuto durante seu turno, pois o mar não deu trégua. Quando eu assumi às 2h, parece que a corrente de baixa pressão no hemisfério norte diminuiu de intensidade e assim consegui levar o barco com um pouco mais de conforto que o Alexandre. Antes de dormir ele conectou o serviço de internet via satélite e nós pudemos receber 7 e-mails pendentes. Dois deles falavam sobre o progresso de todos os barcos ao longo do oceano. Não havia um ranking de colocação, mas achamos nosso deslocamento suficiente para os poucos ventos do início da largada. Tivemos uma média de 3.5 nós no primeiro dia e 4.7 nós no segundo. Ainda queríamos melhorar, mas para isso dependemos dos alísios que encontraremos mais próximo de Cabo Verde.

Um outro email dava a previsão do tempo e as demais informações das condições do mar para as próximas 24-48h. Segundo o documento, as ondas iriam aumentar um pé a mais, mas iam ficar com um período um pouco mais longo, ou seja, sem grandes mudanças.

Alexandre foi dormir e eu continuei navegando até às 6h30, observando as estrelas e Vênus. Mirella acordou sozinha por esse horário e trocou o turno comigo.




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© 2019 por Max Fercondini

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