• MAX FERCONDINI

Diário de Bordo - 05



Diário de Bordo - Dia 05

(29/11/2018)


Posição: 22 26 N 022 23 W

Milhas navegadas: 146 nm

Milhas para chegar: 2247 nm

Velocidade média para o destino: 5.9 nós


Acordei para o meu turno e me preparei colocando o colete salva-vidas, um gorro, a lanterna de cabeça e meu casaco impermeável. Ainda estava escuro às 4h30 e, tanto o Alexandre, quanto a Mirella estavam no cockpit. Alexandre disse que queria continuar levando o barco, mas eu insisti para ele ir descansar. Mirella estava muito cansada e indisposta para ir deitar dentro do barco. Alexandre tentou confortá-la melhor ali mesmo onde ela queria ficar e foi deitar. Mirella dormia, enquanto eu levava o barco sem grandes dificuldades. Da hora que o Alexandre estava fazendo seu turno para o momento em que eu assumi o leme, muito mudou. Os ventos estavam entre 14 nós, 5 nós a menos de quando o Alexandre navegava. Apesar das ondas de 2 metros e meio, a corrente estava um pouco mais a favor do nosso rumo, facilitando o meu trabalho.

Mirella foi deitar lá dentro e eu ainda tinha mais umas 2 horas para o meu turno acabar.

Como o Alexandre ficou um pouco a mais do que tínhamos combinado para o seu turno, eu já imaginava ficar mais tempo também. Naveguei por esse tempo sozinho com o céu a clarear e notei que havia um veleiro ao longe seguindo o mesmo rumo que nós. Dificilmente nós iríamos alcançá-lo... Mirella voltou para a parte externa por volta de 9h30, pois enjoou um pouco lá em baixo e me disse que estava triste, pois tinha colocado para fora o delicioso arroz que eu fiz para o almoço do dia anterior e que virou o nosso jantar...

Perguntei se estava tudo bem e ela disse que sim, mas que preferia levar o barco para sentir o vento no rosto e não ficar só de passageira.

Enquanto ela navegava batemos papo sobre os desafios de ter que lidar com a força da natureza. Definitivamente, essa travessia que estamos fazendo não é para qualquer um. Eu assegurei pra ela que, apesar dela estar se sentindo mal, no final ficaria feliz por superar esse grande desafio. Ela me disse que precisava mesmo se conectar com o mundo das águas, onde as emoções afloram.

Peguei a vara de pescar e lancei a isca mais uma vez no mar.

Como ainda era de manhã, comi alguns nuts e chips de banana seca.

Alexandre acordou as 11h e trocou de turno comigo novamente. Desci para descansar, pois tinha dormido mal na noite anterior. Dormi até às 13h e me juntei novamente à tripulação. Mirella não estava mais enjoada, mas se concentrava para não voltar a sentir náuseas. Resolvi fazer um arroz com alho frito e feijão com cebola e bacon. Foi um dos pratos mais saborosos. Agora o mar estava com ondas de uns 3 metros, mas a previsão era que diminuísse.

Jogamos a isca novamente, mas nossa vara estava com problema. O alarme que avisa quando um peixe morde, não estava soando. Ou seja, precisamos ficar prestando a atenção caso o carretel começasse a girar soltando linha.

Alexandre resolveu limpar a despensa com os alimentos que não estavam bons. Ficamos impressionados de ver como algumas coisas não duraram sequer uma semana. Talvez tenha sido nós que não estocamos direito. Havia algumas laranjas estragando, mandioca meio podre, o repolho começando a estragar (mas eu consegui salvar a parte boa), e até algumas bananas ainda verdes foram jogadas ao mar.

Brincamos entre nós dizendo essa comida seria o engodo para atrair o peixe. Mas foi no mesmo minuto que o Alexandre falou engodo, que o peixe fisgou! Isso era exatamente 17h20, mesmo horário do peixe do dia anterior. Largamos tudo o que estávamos fazendo e fomos soltar a vara que estava presa por segurança em três partes diferentes. Tempo suficiente para o peixe se soltar... Ficamos tristes, mas eu falei que íamos tentar de novo. Afinal, tudo nos indicava que aquela era a hora do jantar dos peixes. Não deu outra, 5 minutos depois pescamos um belo dourado com tamanho suficiente para ir para a travessa com alho, laranja e algumas especiarias que eu encontrei na despensa. Aproveitamos o arroz do almoço para acompanhar o peixe que eu deixei assar por nada mais do que 15 minutos, no fogo alto.

A noite chegou antes da lua subir ao céu. Pudemos observar as estrelas e a via láctea perfeitamente com todas as infinitas estrelas que ninguém conseguiria contar. Começamos então a nos preparar para o turno da noite. Alexandre estava mais disposto do que eu, então começou às 20h30. Eu fui deitar e disse para ele ficar à vontade para me chamar a hora que se sentisse cansado.



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© 2019 por Max Fercondini

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