• MAX FERCONDINI

Diário de Bordo - 07


Diário de Bordo - Dia 07

(01/12/2018)


Posição: 21 11 N 027 26 W

Milhas navegadas: 209 nm

Milhas para chegar: 1959 nm

Velocidade média para o destino: 5.8 nós

O dia amanheceu nublado como era de se esperar após a noite escura. Levantei às 8h45, com os solavancos do barco a brigar para se manter no curso. Fui ao cockpit para ver se o Alexandre estava bem. A Mirella fazia companhia para ele e brincou comigo me dando ordem para voltar a dormir. Fui no banheiro e voltei no mesmo pé para a minha cabine na proa. Dormi por mais algumas horas e, quando foi perto do meio dia, já não conseguia mais ficar na cama a balançar com as ondas.


Alexandre continuava no leme e aparentava estar muito cansado. O nosso café da manhã foi alguns nuts e frutas secas. Resolvi que ia preparar para o almoço um wrap de tortillas ao estilo mexicano, com feijão picante, tomate e cebola caramelizada. Desci para a cozinha e de lá não saí pelos próximos 40 minutos. Mirella e Alexandre me chamaram para ver um grupo de golfinhos que se aproximou do barco, mas eu não pude me desocupar das panelas. Com o mar mexido foi difícil finalizar o preparo do prato como eu esperava, então resolvi servir em três cumbucas, que nos facilitaram a vida na hora de comer o wrap. Alexandre comeu na roda de leme levando o barco, enquanto Mirella e eu fazíamos companhia para ele.



Pela tarde Alexandre foi dormir para se preparar para o turno da próxima noite e Mirella ficou no leme enquanto eu escrevia um pouco e descansava. Não consegui escrever muito, pois mais um dourado fisgou a isca que estava curricando atrás do barco. Pela envergadura da vara percebi logo que era um dos maiores peixes que teríamos pescado até então. E o bicho era lindo. Pela força com que o barco navegava sobre as ondas, o pescado vinha deslizando sobre a água. Sinal que ele estava bem preso ao anzol. Recolhi a linha devagar para não arrebentar, enquanto a Mirella comemorava termos peixe fresco para comer. Quando tirei o jantar fora da água ele estava reluzente feito ouro. Devia ter pelo menos uns 5 quilos pela minha, nada apurada, estimativa. Como o Alexandre estava descansando, dessa vez fiz todo o trabalho sozinho. Peguei a tábua e a faca, sentei-me na popa do barco e comecei a limpar o peixe. Era a primeira ou segunda vez que limpava um pescado, mas fiz o trabalho com a minúcia de um sushiman. Cabeça, nadadeiras, barbatanas e o rabo joguei na água. Só sobrou a espessa carne do peixe e muito sangue no deck, que eu tive que limpar com água salgada antes de descer para a cozinha. Como nas outras vezes, levei o peixe direto para o forno, temperado com limão, alho e algumas ervas que tínhamos à disposição.


Mirella continuou navegando e, quando foi umas 20h da noite, o Alexandre acordou. A louça do almoço tinha ficado na pia e eu prometi que quem lavasse tudo iria ficar com a melhor parte do peixe. Alexandre ganhou o prêmio. Jantamos com as luzes da lanterna, pois já era escuro. Nos deliciamos com tanta carne, que ainda sobrou para o café da manhã seguinte para quem quisesse encarar um peixinho logo cedo.

Alexandre assumiu o leme e eu fui escovar os dentes e me preparar para dormir. Mirella foi logo em seguida. Alexandre estava bem descansado e se propôs a levar o barco até às 5h da manhã. Completamos um terço da viagem até aqui, mas ainda tínhamos muita água pela frente!




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© 2020 por Max Fercondini

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