• MAX FERCONDINI

Diário de Bordo - 08



Diário de Bordo - Dia 08

(02/12/2018)


Posição: 21 03 N 030 00 W

Milhas navegadas: 134 nm

Milhas para chegar: 1816 nm

Velocidade média para o destino: 5.6 nós


O relógio já indicava 6h da manhã. Eu estava completamente descansado. Mirella veio me chamar na cabine de proa, pois, como ainda estava escuro, ela preferiu que eu trocasse de turno com o Alexandre até que clareasse o dia. Alexandre estava só a casca de tão cansado. Ele tinha sobrevivido a mesma situação que eu passei no turno de duas noites atrás, pois a noite ficou nublada até muito cedo, o que dificulta o trabalho de se manter em linha reta, seguindo o rumo 270 graus. Trocamos as mãos da roda do leme e o Alexandre apontou para a luz de um barco na nossa retaguarda. Provavelmente um catamarã, pois ele navegava em um ângulo bem mais arribado que o nosso. Alexandre foi dormir e eu fiquei com a referência da lua decrescente a sorrir no céu para me guiar. Quando deu 8h da manhã, na mesma hora que o sol nasceu, Mirella se levantou. Estava super bem disposta e tinha tido a melhor noite da viagem até então. Disse que pela primeira vez sonhou coisas tranquilas, apesar de ter acordado durante a noite com dor de barriga. Ficamos intrigados se teria sido algo de errado com o peixe, mas como somente ela tinha se sentido mal, achamos que talvez tenha sido o seu estômago que não recebeu bem a comida.

Enquanto Mirella navegava, eu fiz companhia para ela no cockpit. Aproveitei para atualizar nosso diário de bordo.

Às 13h15 avistei duas torres brancas no horizonte, no rumo 250. Era um petroleiro que se dirigia do norte para o sul, provavelmente para algum país da África. Às 13h45 ele estava a 160 graus, sendo que o tráfego estava superado.

Preparei um lanche de almoço pra gente com pasta de dourado (o mesmo que sobrou da noite anterior). Ficou bem bom.

Pescamos um novo peixe que eu não consegui identificar a espécie. Como não era tão grande, resolvi devolvê-lo ao mar. Isso porque já imaginávamos jantar outro tipo de comida, já que comemos proteína de peixe nas últimas refeições.

Alexandre acordou às 16h enquanto eu navegava. Avisei que tinha um sanduíche para ele na geladeira.

Um peixe voador pulou no barco. Só vimos tempos depois, quando ele já estava morto. Alexandre atirou ele para o mar.

O dia estava realmente muito bonito. Diferentemente dos últimos dois dias que passamos com céu nublado. Resolvi fazer panquecas com chocolate derretido e banana flambada com rum de caramelo que tínhamos na despensa. Ficou uma delícia e todos adoraram a ideia. Foi uma surpresa para o final da tarde que alegrou ainda mais o nosso dia.


Minutos antes da noite cair, por volta de 19h20, Alexandre sugeriu de dar o jaibe e corrigirmos o rumo para 250 graus. Os ventos estavam fracos onde navegávamos e segundo a previsão seria melhor descermos para a latitude 20 ou mesmo 19. Mirella ficou no leme e Alexandre e eu fomos para a proa passar o pau do spinnaker por baixo do estai da buja. Fizemos a manobra com a máxima segurança, ainda mais coordenados do que da primeira vez que demos o jaibe inesperado para seguir com a proa para o oeste.

Às 20h20 ligamos o motor para carregar as baterias e nos ajudar com um pouco de propulsão da "vela de aço". Como os ventos estavam abaixo dos 10 nós, foi melhor para não ficarmos tão atrás da flotilha que, em grande maioria, navegava em latitudes mais baixas que nós.

Às 21h10 Alexandre desceu para fazer umas batatas cozidas, pois queríamos comer algo rápido, nutritivo e fácil de fazer.

Descobrimos que o piloto automático voltou a funcionar, mas só mantinha o rumo se o plotter estivesse ligado. Como o consumo de bateria é maior com o plotter ligado, deixamos algumas horas ele funcionando para avaliarmos se o conforto da navegação assistida seria possível sem descarregarmos muito as baterias.

Mirella foi deitar antes mesmo das batatas ficarem prontas.

Fui jantar às 22h e, logo em seguida, fui para minha cabine descansar. Alexandre combinou de ficar no turno da madrugada até às 6h da manhã, ou um pouco antes se estivesse muito cansado. O motor não foi desligado às 23h20, como havíamos combinado. Mantivemos ele ligado, pois os ventos estavam bem abaixo dos 9 nós.



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© 2020 por Max Fercondini

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