• MAX FERCONDINI

Diário de Bordo - 09



Diário de Bordo - Dia 09

(03/12/2018)


Posição: 20 15 N 032 17 W

Milhas navegadas no dia: 96 nm

Milhas para chegar: 1682 nm

Velocidade média para o destino: 3.8 nós


Hoje é aniversário do Alexandre! Mirella acordou às 6h30 e deu os parabéns para o amado logo cedo com croissant e Nutella. Logo após, Alexandre foi dormir um pouco, depois do longo turno da noite. Eu me levantei às 09h da manhã e fui para o cockpit para me juntar à Mirella que estava maravilhada com o nascer do sol. Neste dia o amanhecer foi espetacular mesmo! Às 9h15 vimos um grande pássaro de pescoço longo, que não tivemos certeza da espécies, a voar sozinho para o mesmo rumo que nós. Pela distância que estamos do continente africano (mais ou menos 900 milhas náuticas) essa ave estava mesmo disposta a cruzar o Atlântico, assim como nós.

O piloto automático funcionou perfeitamente durante toda a noite anterior, mas sempre com o plotter ligado, a descarregar as baterias.

Como não havia nada de vento, Alexandre deixou o motor ligado durante a noite toda. Às 11h20, com ventos variando entre 10 e 13 nós, eu abri as velas. Com velas e motor, o gps registrou velocidade de 7 nós. Às 11h35 desliguei o motor e, depois de 15h e 15 minutos, voltamos a navegar somente com as velas. Agora o veleiro fazia uma velocidade entre 5.7 e 6 nós. Decidimos manter o piloto automático e o plotter ligados para termos mais conforto a bordo. O mar estava como um tapete, se comparado aos dias anteriores. A temperatura da água, que já tinha sido registrada em 21 graus ainda nas Canárias, agora registrava 24.7 graus no meio do Atlântico.


Fui à popa do barco com um balde buscar água salgada para o terceiro banho da viagem até aqui. Tudo que se faz no barco é mais trabalhoso do que se estivéssemos em terra firme e, mesmo um simples banho, exige paciência, equilíbrio e disposição. Mirella foi a segunda da fila para banhar-se. Alexandre só tomaria banho quando acordasse para se preparar para a festa de seu aniversário.

Às 14h, quando o Alexandre acordou, eu fui para a cozinha fazer uma massa com cogumelos, palmito e ervilhas ao molho branco. Como era dia de festa, coloquei um vinho branco para gelar enquanto o Alexandre tomava banho.

Almoçamos os três, pela primeira vez ao mesmo tempo, graças ao piloto automático que trabalhou o dia todo.


Após o almoço ficamos conversando no cockpit e eu aproveitei para mostrar aos dois um pouco do diário de bordo que estava registrando desde que saímos das Canárias.

Às 17h55 avistamos um veleiro no grau 150 em rota convergente com a nossa. Ficamos encantados com o encontro no meio do oceano e pegamos os binóculos para tentar ver que tipo de barco era e se seria alguém do rally que estávamos participando. Com o barco se aproximando cada vez mais, conseguirmos ver a bandeira da ARC hasteada. Às 18h10 percebemos que estávamos na mesma velocidade e, se não tomássemos uma atitude, iríamos inevitavelmente colidir. Alexandre rapidamente ligou o motor e deu um gás a mais na nossa velocidade. Assim, avançamos pela proa do veleiro de 55 pés de bandeira suíça. Pela popa acenamos aos 4 tripulantes que nos retribuíram a saudação e continuaram a nos observar com a mesma curiosidade que nós tínhamos por eles até nos perdermos de vista.

Continuamos conversando mais um pouco até que a Mirella apareceu com uma caixa de bolo instantâneo para preparar a festa para o Alexandre. Misturamos ao conteúdo da caixa 3 ovos e 100 gramas de manteiga, como mandava a instrução. Levamos ao forno previamente aquecido a 160 graus e deixamos cozinhar por 35 minutos. Quando terminou, levamos chocolate em grãos para um banho maria e assim tínhamos a cobertura feita. Enquanto fazíamos toda essa função, Alexandre ajudou a dar uma limpeza geral na cozinha, aguardando que terminássemos de preparar tudo para poder lamber a colher de chocolate derretido.


Esperamos o bolo esfriar e conversamos sobre a grande experiência que estávamos vivendo ao cruzar o Atlântico. Às 22h30 subimos o bolo do Alexandre para o cockpit ao som de "parabéns a você". Alexandre contou que o último aniversário ele passou embarcado em um veleiro, onde estava trabalhando, mas que não teve comemoração alguma, pois ele não quis compartilhar com a tripulação que estava completando mais um ano de vida. Nesta boda dos seus 36 anos, tudo era mais especial, pois ele estava velejando com o seu próprio barco junto da sua mulher companheira.

Ficamos mais alguns momentos juntos, ouvindo música e assistindo às estrelas cadentes no céu. Alexandre desacoplou o piloto automático para levar o barco com suas próprias mãos e Mirella foi se deitar. Eu desci para minha cabine às 23h50 e combinei que voltaria ao cockpit às 3h da manhã ou quando o Alexandre estivesse cansado.


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© 2019 por Max Fercondini

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