• MAX FERCONDINI

Diário de Bordo - 11


Diário de Bordo - Dia 11

(05/12/2018)

Posição: 17 31 N 035 53 W

Milhas navegadas: 125 nm

Milhas para chegar: 1461 nm

Velocidade média para o destino: 6.2 nós

Durante toda a noite eu consegui manter o piloto automático ligado e isso facilitou muito a longa noite no comando. Coloquei meu despertador para tocar a cada 40 minutos e assim eu acordava e conferia a proa que estávamos mantendo, se havia algum barco em nosso caminho ou por perto e a intensidade e direção dos ventos que nos levavam em direção ao Caribe.

Amanhecer no meio do mar...

Tirei esses cochilos até às 8h20 da manhã, quando a Mirella acordou e foi ao cockpit se juntar a mim. Apesar das cochiladas, eu estava exausto e, assim que o sol nasceu, meu sono foi embora. Fiz um café para nós dois e ficamos conversando enquanto os painéis solares carregavam as baterias com a forte luz da manhã.

Alexandre só acordou às 11h e me agradeceu por levar o barco nessa última noite. Ele já tinha feito dois turnos seguidos na madrugada e isso destrói o homem. Era importante que ele descansasse.

Hoje chegamos na metade da viagem! Então tínhamos que comemorar e avaliar como a viagem estava sendo até aqui.

Calculamos o consumo de diesel de todas as horas que ligamos o motor para recarregar as baterias e dar um pouco mais de deslocamento para o veleiro nos dias de pouco vento. Estávamos ainda com 2/3 da capacidade de combustível. Isso representava uma boa margem de segurança para o próximo trecho da travessia. Também avaliamos nosso estoque de comida e pudemos afirmar estávamos indo bem no consumo dos alimentos. Algumas frutas já estavam estragadas, outros legumes resistiam a duras penas e, por isso, íamos dar prioridade para o consumo do que já estivesse para estragar. Proteína de peixe a gente tinha certeza que não ia faltar, pois conseguimos pescar praticamente todos os dias que tentamos. Não foi o caso deste dia, pois o único peixe que fisgou nossa isca, acabou arrebentando o anzol e fugindo. Mais sorte pra ele do que pra nós.

Sem peixe para cozinhar, resolvi que ia atender ao pedido da Mirella que estava com desejo de comer algo bem brasileiro. Desci para a cozinha e descasquei mandioca, também conhecida como aipim ou macaxeira, e levei para a panela de pressão. Enquanto esperava o cozimento da raiz, coloquei um vinho branco para resfriar e me dediquei a preparar uma farofinha de cebola e bacon, que minha mãe costumava fazer nos dias de feijoada em casa. A mandioca ficou pronta e eu reservei do lado para utilizar a mesma panela para preparar um feijão mulato. Com todos os ingredientes prontos, subi os pratos para o cockpit e almoçamos os três juntos. Fizemos um brinde pelo sucesso da viagem até aqui e ficamos conversando por algumas horas.

Feijão mulato, mandioca e farofa com bacon e cebola

Eu ainda não tinha descido para descansar do turno anterior, então, quando foi 4h da tarde, me despedi do casal e fui para minha cabine. Não esperava dormir tanto, mas fiquei deitado na cama até às 2h da manhã. Eu estava bastante cansado, mas depois desse sono todo, acordei bem disposto para voltar para o leme.

Mirella já estava deitada e Alexandre levava o barco na mão e, como nós não tinha jantado, esquentei um pouco da mandioca e da farofa que tinha sobrado do almoço. Jantamos e ele foi dormir. Assumi o leme com a proa 267 graus e, apesar dos fortes ventos e das rajadas inesperadas, naveguei sem grandes problemas, pois o mar estava calmo nesse marco da metade da viagem ao Caribe.


Literalmente no meio do Atlântico!

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© 2020 por Max Fercondini

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