• MAX FERCONDINI

Diário de Bordo 12



Diário de Bordo - Dia 12

(06/12/2018)


Posição: 17 06 N 038 23 W

Milhas navegadas: 144 nm

Milhas para chegar: 1316 nm

Velocidade média para o destino: 5.9 nós


Às 6h da manhã começou a chover. Corri para tirar as coisas que podiam molhar no cockpit. Ainda estava escuro, mas eu podia ver pelas estrelas no céu, que as nuvens que trouxeram a chuva eram bem isoladas. Estes fenômenos são conhecidos no Atlântico como SQUALLS, geralmente associados com ventos mais fortes e ondulações maiores.


A temperatura da água hoje chegou aos 25.6 graus. Sinal que estamos mais próximos da linha do Equador e do Caribe. O indicador de vento registrava 25 nós de vento constante e rajadas de até 29 nós. Até então eu estava levando o veleiro na mão, mas, com a chuva a molhar o cockpit, preferi colocar no piloto automático. A minha paz não durou muito tempo, pois as ondas estavam fortes demais para o piloto dar conta de não adernar muito o barco. Retomei a navegação na mão e segui assim até às 8h20 da manhã, quando o sol começou a raiar.



Mirella acordou e veio se juntar a mim. Como o mar agora estava muito mexido, ela preferia ficar no cockpit, ao invés de ficar rolando de um lado para o outro na cama. Joguei novamente a isca para pescar desde logo cedo. Hoje, a ideia do chef era fazer peixe com molho de coco, pimentões, arroz com farinha e mandioca. Às 10h20, uma gaivota solitária ficou voando em círculos sobre o barco. Engraçado esse encontro no meio do Atlântico. Como pode um animal tão pequeno ser capaz de voar para tão longe?


Enquanto eu aguardava o almoço ser pescado, resolvi tirar uma soneca no cockpit. Deixei o piloto trabalhando por mim, já que agora os painéis solares já exerciam sua função de carregar as baterias. Quando deu 11h da manhã, o peixe fisgou. Às 11h30 o peixe tava limpo e ao meio dia, em ponto, na panela curtindo no limão, antes de receber os ingredientes para temperá-lo. Alexandre permaneceu dormindo até 13h55. Quando ele acordou, taquei o peixe no forno, acendi o fogo e preparei o arroz. Comemos juntos no cockpit, mas com muito balanço. Abrimos um vinho tinto para acompanhar a refeição.


Dourado com molho de coco, pimentões, arroz, farinha e mandioca.

Hoje foi dia do quarto banho da viagem, que é sempre uma função demorada com a coleta de água salgada do mar para economizarmos os poucos litros de água doce do tanque do veleiro. Os ventos continuaram fortes, mas o mar foi dando trégua com o passar do dia. Assim, só nos restou aguardar o sol se pôr exatamente na nossa proa, no rumo magnético de 265 graus. Alexandre continuou levando o barco pelo final da tarde e início da noite. Ligamos as luzes de navegação às 20h e eu fui descansar, pois o turno da noite seria com o Alexandre.


17 06 N 038 23 W

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© 2020 por Max Fercondini

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