• MAX FERCONDINI

Diário de Bordo - 15

Atualizado: 12 de Abr de 2019



Diário de Bordo - Dia 15

(09/12/2018)


Posição: 15 16 N 044 59 W

Milhas navegadas: 131 nm

Milhas para chegar: 929 nm

Velocidade média para o destino: 5.7 nós


Levantei às 9h15 da manhã, pois já não conseguia ficar na cama. Mirella e Alexandre ouviam música enquanto ela levava o barco. Estávamos mantendo o rumo 240 graus, pois o vento tinha virado um pouco e esse era o melhor ângulo que conseguíamos fazer. A essa altura, já estávamos quase que no mesmo paralelo de Saint Lucia. Agora tínhamos que tentar manter os 265 graus para navegarmos sem derivar do destino.


Preparei umas torradas com açúcar e canela para o café da manhã. Podia ser impressão nossa, mas quanto mais nos aproximávamos do Caribe a água do mar parecia cada vez mais azul. Outro sinal de que estávamos nos aproximando era a presença de plantas boiando sobre as ondas do mar, que já ostentava uma temperatura de quase 27 graus Celsius.


Às 12h30, eu já estava a fim de cozinhar e perguntei o que todos queriam almoçar. Chegamos à conclusão de que seria uma boa ideia comermos feijão preto. Para incrementar o cardápio, disse que eu ia colocar linguiça na mistura e preparar um molho à campanha de cebola e pimentão no vinagre. Eu também teria acrescentado tomates no vinagrete se ainda tivéssemos, mas todos os nossos alimentos mais frescos já estavam praticamente podres depois de 15 dias no mar. Servi a nutritiva refeição após 40 minutos. Ainda acrescentei um pouco de farinha no feijão e um ovo com gema mole para enriquecer de proteína nosso almoço.

Feijão com linguiça, farinha, vinagrete e ovo frito no meio do Atlântico

Após a refeição, eu fui deitar e fiquei na cama por umas boas 4h. Nem mesmo o peixe que fisgou nossa isca e a movimentação dos meus dois companheiros de aventura me fez levantar. Além de tirar o peixe da água, Alexandre fez todo o trabalho de matar e limpar o pescado. Ele ainda colocou o dourado no limão para já ir curtindo com o tempero cítrico. Quando eu acordei, algumas horas mais tarde, me juntei aos dois para assistirmos ao pôr do sol após mais um dia de navegação pelo Atlântico. Quando o relógio indicou 21h da noite (GMT), resolvi finalizar o tempero do peixe que Alexandres pescou e levá-lo ao forno, com batatas, cebola, farinha e manteiga. Alexandre e eu jantamos sozinhos às 22h40, enquanto a Mirella descansava. Afinal, ela tinha feito o turno da tarde toda no leme.


Com o barco a navegar sobre as ondas, colocamos um pouco de música clássica para curtirmos a noite. Ouvimos Mozart e Bach durante a refeição servida debaixo do céu estrelado. A lua estava na sua fase crescente e apenas uma "unha" podia ser vista. Às 23h20 eu iniciei meu turno, enquanto Alexandre se preparava para ir dormir. Mirella foi dormir sem nem mesmo jantar. Ela tomou muito sol na cabeça durante a navegação diurna e deveria estar mesmo muito cansada.


Às 23h40 ligamos o motor para carregar um pouco as baterias do barco. Naveguei com o motor ligado por 2h. Quando foi 1h30 observei, à boreste, uma embarcação se aproximando de nós. Com a noite escura não pude identificar que tipo de barco era. Junto com esse barco avistei duas nuvens baixas bem escuras pela popa do nosso veleiro. Elas pareciam trazer chuva consigo, então coloquei o barco no piloto automático e desci para vestir minha roupa impermeável. Às 2h30 da madrugada senti os primeiros pingos de água no rosto. Às rajadas de vento, quando a nuvem estava exatamente sobre a minha cabeça, eram de 30 nós. Tive certa dificuldade para manter o rumo certo, mas aguentei firme até que esses SQUALLS passassem. A outra embarcação que navegava próximo de nós continuava ao meu lado, mas, aos poucos, ia me ultrapassando porque tinha velocidade maior. Navegamos juntos até às 2h45. Às 3h15 o Alexandre acordou e veio ao cockpit para trocar o turno comigo. Como eu ainda estava bastante desperto, disse para meu amigo ir descansar por mais umas 2h. Eu ainda tinha condições de continuar navegando.


Às 5h da manhã, outro SQUALL veio em nossa direção e mais rajadas de vento fizeram o veleiro ganhar velocidade. Como estávamos com as velas risadas para a noite, chegamos a uma velocidade. Atingimos uma máxima de 7 nós nesse período. Às 5h30 outro SQUALL veio para cima de nós, fazendo com que o veleiro adernasse. Quando foi 5h50 eu desci para dentro do barco e chamei o Alexandre. Agora sim eu estava cansado e precisava parar. Alexandre levantou, se vestiu com a roupa apropriada e foi assumir o leme. Antes de apagar no sofá da sala, comi um chocolate, escovei os dentes e deitei para descansar depois do longo turno.


Posição: 15 16 N 044 59 W

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