• MAX FERCONDINI

O "quase" naufrágio inglês...

Atualizado: 27 de Ago de 2018

Eu estava no meu veleiro e essa amável família inglesa se aproximou do meu barco com a expectativa de fazer um passeio pelo rio Tejo.

Eu nunca havia levado pessoas que eu não conheço para navegar, mas eles realmente queriam ter a experiência de sair de barco para ver o pôr do sol em Lisboa a partir da água. Quebrando o meu protocolo, eu aceitei e nós soltamos as amarras - como eu sempre faço quando estou com amigos ou mesmo sozinho.


Parece que foi de propósito que, nessa quebra de protocolo, no meio do passeio, o motor veio a parar completamente após alguns momentos de diversão.

Nós estávamos em frente à Praça do Comércio e muito próximos à margem, que se tornou uma ameaça, já que o barco perdera propulsão do motor.


Amigo, isso já aconteceu comigo outrora, quando estava sozinho na costa da Espanha, mas não podia acontecer com desconhecidos durante essa rotineira saidinha pelo tranquilo rio lisboeta.


Pra resumir a aventura, eu tomei o controle da situação e imediatamente subi as velas para ter seguimento com o barco e evitar a correnteza que nos empurrava para as pedras. Desci à "casa de maquinas" com o barco navegando para tentar, sem sucesso, fazer o motor funcionar.


Estando todos sob minha responsabilidade, confesso que, com certa apreensão, precisei assumir a autoridade de capitão e controlar os ânimos de todos, especialmente das crianças que ficaram aprensivas com a situação adversa.


Por mais que tivéssemos com os "panos" postos, seria um desafio entrar navegando na marina apenas com as velas e sem ninguém mais para me auxiliar na trabalhosa manobra. Nessa momento me lembrei do Bobby, um vizinho alemão, que também mora na marina e que já havia compartilhado algumas cervejas outro dia no meu veleiro. Não hesitei em ligar para ele e pedir ajuda para que me rebocasse para o pier, onde todos haviam embarcado.


Enfim, conseguimos aportar com segurança, apesar de já estar escuro e tarde para todos. Talvez vocês tenham ideia de tudo que passou pela minha cabeça, mas jamais seria capaz de transmitir o alívio (e orgulho) que eu senti por ter sido capaz de, com a ajuda do capitão Bobby, resolver a situação e trazer essas queridas pessoas com segurança para terra firme.


Mais uma vez o mar (ou o rio, nesse caso) me testou e me mostrou o quão importante é ser um homem de controle em casos imprevisíveis.


Eu faria o mesmo pelo Bobby se ele precisasse de ajuda, pois assim são os verdadeiros homens do mar.


Que a jornada continue sendo uma experiência de grandes aprendizados. Ao final, todos se sentiram agradecidos pela experiência que só a vida fora da zona de conforto pode proporcionar. Foi um dia feliz!


PS Ah, o problema com o motor será a minha diversão para os próximos dias... rsrs


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© 2019 por Max Fercondini

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