• MAX FERCONDINI

Diário de Bordo - 01


Diário de bordo - Dia 01 (25/11/2018)


Posição: 28 07 N 015 25 W Milhas navegadas: 105 nm Milhas para chegar: 2700 nm Velocidade média para o destino: 3.5 nós

O dia mais aguardado das últimas duas semanas havia chegado. Hoje é a largada da trigésima edição da ARC (Atlantic Rally for Cruisers) que parte das Canárias e termina em Saint Lucia, no Caribe. Alexandre e Mirella andaram preparando o barco meses antes desse dia chegar e, até o momento que eu os encontrasse em Las Palmas, na Gran Canaria, eles estavam organizando tudo sozinhos. Com a minha chegada, eu pude contribuir um pouco, mas havia poucas coisas para serem finalizadas. Passamos os últimos dias em terra firme assistindo às palestras que aconteceram em função do rally náutico. Os temas eram bastante amplos, mas focados nos assuntos e necessidades de todas as 250 embarcações que pretendem cruzar o Atlântico. Meteorologia, rota, alimentos para o barco, navegação de emergência, resgate de helicóptero e outras coisas mais foram apresentadas nesses seminários. Uma bagagem importante de conhecimento para levarmos conosco na travessia que irá durar aproximadamente 21 dias por todo o Atlântico. Acordamos bem dispostos e fomos tomar o último "leche leche", café com leite condensado, em uma padaria na beira da marina. Pelos próximos dias, todas as refeições serão feitas a bordo, então, nada mais justo, que nos déssemos o prazer de ter o último café da manhã em um restaurante. Voltamos ao barco com o coração na boca, pois a partida já estava próxima. Mirella e Alexandre se abraçaram na proa, deram um beijo e fizeram uma discreta oração entre eles. Eu fiz minha prece e agradeci a Deus pela oportunidade que ele colocou no meu caminho para eu me juntar a essas pessoas queridas. A felicidade deles me comoveu e eu agradeci por ter sido convidado por eles como o terceiro tripulante em seu barco. Nos olhamos nos olhos, sem a necessidade de dizer mais nada, pois sabíamos que estávamos preparados para a grande jornada que íamos compartilhar. Nos despedimos dos nossos vizinhos de marina, que também farão a travessia com seus barcos. Demos tchau em pelo menos 3 idiomas diferentes e desejamos uma boa viagem para todos. Só nos encontraremos novamente do outro lado da "poça", chamada Atlântico. Soltamos as amarras às 12:21 e saímos ao som de Rock Around the Clock, que tocava de algum lugar, enquanto acenávamos para as pessoas que estavam no pier norte da marina de Las Palmas. Não conhecíamos ninguém em especial que pudesse estar nos acenando, mas retribuímos com os braços a balançar no ar o carinho que recebemos. Assim que saímos da marina, desligamos o motor e abrimos as velas para aproveitar os ventos de popa que sopravam levemente. Tinha mais vento do que a previsão sugeria e o início da navegação foi bastante confortável. Muitos barcos no horizonte. Alguns deles se aproximaram de nós ao sabor do vento e acenaram desejando boa travessia. Preparei um lanche atum para nós, com cebola e outras especiarias para termos um almoço mais leve nestas primeiras horas no mar. Apesar de ser mais ou menos 14h da tarde, eu fui me deitar para descansar o corpo para o meu turno. Quando me levantei, umas 4h depois, Mirella estava enjoada e o Alexandre levava o barco "na mão", sem o auxílio do piloto automático. Eles tinham visto golfinhos ao lado do veleiro na saída, enquanto eu estava dormindo. E assim fomos navegando pela costa leste da Gran Canaria. Essa pequena ilha no Atlântico era a última porção de terra que veríamos pelas próximas 3 semanas. A lua já havia nascido e a noite estava muito bonita. Assumi o leme. Tinha combinado com o Alexandre que meu turno acabaria às 2h da manhã, mas como ele não tinha conseguido descansar, pois ele precisou fazer o turno da Mirella que continuavam enjoada, deixei ele dormir mais um pouco. Nesse tempo, precisei ajustar as velas para bombordo, pois o vento mudou a direção e baixou para 4-5 nós, vindo do norte. Terminei meu turno às 4h30 e fui descansar. Pretendia dormir por 6h com a expectativa de que a Mirella pudesse ajudar o Alexandre durante a manhã se já estivesse melhor.

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© 2019 por Max Fercondini

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