• MAX FERCONDINI

Diário de Bordo - 13


Alexandre e eu na hora de trocar o turno da madrugada

Diário de Bordo - Dia 13 (07/12/2018)


Posição: 16 29 N 040 51 W

Milhas navegadas: 132 nm

Milhas para chegar: 1172 nm

Velocidade média para o destino: 5.5 nós


Acordei às 4h da manhã para assumir o próximo turno de navegação, como havia combinado com o Alexandre. Dormi muito mal está noite, pois o barco balançava muito com as ondas durante a madrugada. A cabine de proa, onde eu tenho dormido, é, de fato, o lugar que mais balança dentro do barco.


Subi ao cockpit e o Alexandre resistia nas últimas forças para não dormir. Comi um bolinho que tinha sobrado do dia anterior e meu amigo foi comer algo antes de se deitar. Não jantamos na noite passada, então a fome apertou na madrugada. Alexandre ainda me contou que um peixe voador se jogou no cockpit e que ele utilizou a caneca do café para devolver o bicho ao mar. Ainda bem que eu não fiz café pra mim com a mesma caneca que ele usou. Ele me disse também que a Mirella tinha acordado durante a noite com muita indisposição física com o balanço do barco. Alexandre ligou o motor às 4h20 para dar uma carga nas baterias e foi dormir. Eu fiquei responsável por desligar as máquinas duas horas depois e seguir com a roda de leme nas mãos, conduzindo o veleiro na melhor proa que o vento de alheta de boreste pudesse proporcionar. Tentei manter o rumo 265 graus por toda a noite.


Às 6h20 desliguei o motor e a Mirella apareceu novamente no cockpit sentindo muita dor nas costas. Peguei um remédio para ela e fiz uma massagem nos seus ombros para aliviar o desconforto causado com o balanço do barco. Ela voltou a deitar logo em seguida, mais aliviada. Olhando para o céu estrelado, mas parcialmente nublado, percebi que havia muitas estrelas cadentes surgindo. Por brincadeira, contei 41 estrelas cadentes no período de 2h que fiquei me guiando pelas constelações. Segui navegando até começar a clarear o dia. Liguei o piloto automático e me deitei ali no cockpit mesmo, só monitorando com os olhos a direção dos ventos e o rumo que estávamos mantendo.


Primeiros raios de sol na manhã

Mirella acordou de vez com a luz do sol e voltou a me fazer companhia. Como eu estava cansado do turno de navegação, fechei os olhos e dormi ali mesmo, debaixo do sol, até às 11h30. Às 13h uma grande nuvem, com direito a arco íris, derramou chuva pelo nosso caminho, mas não foi capaz de nos refrescar. Quanto mais nos aproximamos do Caribe, mais quentes são os dias com o intenso sol no meio do mar. Teria sido ótimo pegar uma forte chuva também para lavar o barco. Alexandre acordou às 13h20 e fez um café com doce de leite e rum para tomarmos. Essa foi uma das invenções mais legais da viagem. O tal café com leite foi apelidado de "leche leche de pirata", fazendo referência ao café com leite condensado que costumávamos pedir nas Ilhas Canárias.


Às 13h42 uma nova nuvem trouxe chuva, mas ela passou por trás de nós e, de novo, perdemos a chance do banho ao natural. Ficamos enrolando para fazer o almoço. Alexandre foi lavar a louça e tirar o lixo. Eu preparei um aperitivo de três tipos de salames que comprei nas Canárias, com limão espremido e mostarda de Dijon. Ficou bem bom. Logo após comecei a preparar lentilhas com bacon e linguiça. Servi, às 18h com cebola frita por cima. Esse foi um almo-janta (almoço quase na hora do jantar).


Lentilhas com bacon, linguiça e cebola frita

Após a refeição, tomamos um café e ouvimos um pouco de música enquanto assistimos ao belo pôr do sol no horizonte. Com a chegada da noite, ficamos observando o céu estrelado ao som de "What a Wonderful World" de Louis Armstrong. Nesse primeiro horário da noite a lua não apareceu, então era o brilho das estrelas que contrastavam com o céu escuro. Sem a interferência do luar também foi possível observarmos alguns satélites artificiais girando em órbita com a Terra. Eles viajam a 27 mil quilômetros por hora, mas daqui de baixo, parecem "voar" bem devagar, silenciosos e discretos entre as estrelas de luz mais intensa. Vimos 5 satélites nesta noite. E o veleiro flutuava na água, deixando uma esteira de plâncton fluorescente para trás. Quando foi 22h eu fui me deitar e combinei com o Alexandre que eu assumiria novamente o turno das 4h da manhã, como estávamos fazendo nos últimos dias.


Posição: 16 29 N 040 51 W

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© 2019 por Max Fercondini

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