• MAX FERCONDINI

Dos Açores para a Inglaterra

Atualizado: 14 de Dez de 2020



TRAVESSIA DOS AÇORES PARA A INGLATERRA


Eu não conhecia nenhum dos caras da tripulação antes de entrar no barco. Passar tantos dias no mar com quem você não conhece, é como navegar no escuro... Meus amigos em terra ficaram preocupados por eu fazer essa viagem com estranhos. "E se eles estiverem levando drogas?". Essa foi a pergunta que mais me fizeram e que também me preocupava. Mas Gregor Biesenbach, dono do barco, quebrou esse meu receio quando me perguntou se eu tinha trazido comigo uma bandeira do Brasil para hastear no mastro do seu veleiro. Sim. Eu levei. Acho que nenhum traficante se preocuparia com tamanho simbolismo, se fosse praticar algo ilegal.


O veleiro Tortuga


Tivemos uma excelente convivência a bordo durante os 14 dias, 12 horas e 11 minutos em que permanecemos confinados nos 12 metros quadrados do Tortuga. Os rapazes têm entre 23 e 24 anos de idade (+ou- 10 a menos do que eu). Se somarmos as milhas náuticas do Gregor e do Aaron Vogel, as mesmas não chegariam nem na metade das minhas mais de 10 mil milhas já navegadas. Robert Nightingale ainda não tinha tido nenhuma experiência dentro de um veleiro. Mesmo assim, aprendi muito com a convivência com eles.


TRIPULAÇÃO

Max, Gregor, Aaron e Robert


São 3 nacionalidades diferentes. Dois alemães, um inglês e, eu, ítalo-brasileiro. As diferenças culturais se resumem a quase nada quando se está a bordo. A linguagem praticada no mar foi (e deve sempre ser) a da igualdade, do companheirismo, da equidade e do bom senso. Quanto a isso, posso afirmar que falamos a mesma língua. Gregor, como capitão, se mostrou um à altura da função. Aaron, marinheiro, foi sensível ao barco e à tripulação. Robert, que não sabia nada sobre velejar e ainda ficou enjoado nas primeiras horas no mar, foi humilde para ouvir, aprender e oferecer o seu melhor. Já eu, como first-mate (apesar de ser capitão do meu barco, o qual deixei em Lisboa para ajudá-los nessa travessia), usei de toda a minha experiência para termos segurança e sabedoria a bordo.


O chef na cozinha!


Também coube a mim preparar as refeições diárias, atividade que desempenho sempre com grande prazer. Meu ingrediente preferido a bordo: harmonia. Sem esse tempero, não é possível sentar-se à mesa ou cruzar um oceano.

"Fair winds to you, sailors!"


DADOS DA TRAVESSIA


Milhas náuticas percorridas

1.538 (2.848 km)

Tempo total no mar

14 dias, 12 horas e 11 minutos

Tripulantes

4

Refeições a bordo

27

Quilogramas perdidos

1,3 kg

Estrelas cadentes contadas

22

Satélites avistados

8

Ovnis

0,5 (leve suspeita...)

Contados imediatos de 3° grau

0

Dourados pescados

0

Atuns pescado

1

Baleias avistadas

2 (indivíduos)

Golfinhos felizes avistados

89

Tartarugas avistadas

1 (somente o veleiro Tortuga)

Submarinos avistados

0 (seria difícil, né?... rsrs)

Livros lidos

2 (De Carona para o Mundo, Vento do Norte)

Páginas escritas do meu livro

22 (quase terminando...)

Discussões a bordo

0

Enjoos

3 dias (somente o Robert)

Acidentes pessoais

1 (sem sangue)

Quebra de equipamento

1 (uma peça no motor)

Velocidade média

4.43 nós (8 km/h)

Velocidade (máx.)

10.1 nós (18 km/h)

Rajada de vento (máx.)

39 nós

Maior onda (aprox.)

5.5 metros

Banhos

3 (em 14 dias... ihhhh...)

Banhos de chuva

2

Sacos de lixo produzidos

8 (pequenos)

Peixes voadores suicidas no deck

0

Vezes que tive que virar a cueca

1

Nuvens no formato de elefante

4

Arco íris avistados

3

Animais torturados durante a travessia

0

Cantores (bandas) mais tocados

Dire Straits, Elton John, Queen, Bob Dylan, Raul Seixas



VÍDEOS DA TRAVESSIA


A partir de agora começo a compartilhar os vídeos que fiz durante a travessia. Acesse ao meu site pelos próximos dias para conferir tudo com exclusividade!



TRAILER DA AVENTURA


Acabo de completar a passagem entre Ponta Delgada, nos Açores, e Falmouth, na Inglaterra. Foram, ao todo, 14 dias no mar e 1.538 milhas náuticas (2.848 km) navegadas. Corpo cansado, mas a alma realizada. Esse é o trailer dessa incrível aventura. Compartilhe com os amigos!

Vídeo:


CHEGADA NOS AÇORES


Hoje vou partir em uma nova expedição! Dessa vez entre os Açores, ilhas portuguesas no Atlântico, até a Inglaterra. Vão ser aproximadamente 15 dias de navegação, nos quais eu vou ficar incomunicável. Vai ser uma grande experiência navegar pelo Atlântico Norte, onde os ventos e o mar testam os nervos dos velejadores.

Vídeo:


ABASTECENDO PARA PARTIR


Obviamente nós não vamos usar o motor em toda a viagem, mas é bom termos combustível suficiente para os momentos de pouco ou nenhum vento e, principalmente, para fugir (ou, pelo menos, tentar) nos afastarmos das tão temidas depressões açorianas utilizando o motor, também conhecido como "vela de aço".

Vídeo:


CHECANDO A METEOROLOGIA NA ROTA


Antecipamos a partida em 24 horas, pois a previsão era de mal tempo em rota. Quando chegamos na Inglaterra, descobrimos que, um dia depois de soltarmos as amarras, Ponta Delgada foi acometida por uma violentíssima tempestade que, segundo as informações, teria causado grandes estragos em dois veleiros que estavam na marina, além de haver falta de energia pelas horas que sucederam os fortes ventos e chuva.

Vídeo:


PRIMEIRAS HORAS NO MAR


A saída foi perfeita! Rodamos o motor por 3 horas e, a partir de agora, vamos seguir viagem somente com as velas. Estamos fazendo 6-7 nós de velocidade. Nossa posição é 38°05'42" N e 025°48'69" W. São os meus últimos minutos com acesso à Internet. Ainda consigo ver as luzes da ilha de Ponta Delgada, mas, em breve, será só mar no horizonte. Serão 1300-1500 milhas náuticas até Falmouth na Inglaterra.

Vídeo: